quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

No silêncio

Ela chegou a casa após o trabalho e ele ainda não tinha chegado. Ela largou a comida do take-away na cozinha enquanto foi mudar de roupa para quarto. Estava cansada do dia, mas contente porque tinha conhecido uma nova colega no trabalho.
Era um dia normal, no qual ele chegaria tarde. Havia meses em que mal falavam à noite. Para ela isto significava tempo para si, no qual ela podia vaguear pela casa como bem entendia.
Procurou pela garrafa de vinho que abrira na véspera e preparou um copo enquanto enchia a banheira com água quente e acendia umas velas de cheiro a canela que tanto lhe lembravam dos bons tempos em que passou em marraquexe.
Ao entrar no banho e ao sentir o calor da água tépida sentiu-se a relaxar depois da confusão de mais um dia. A sua mente foi divagando pelos diferentes eventos do seu quotidiano enquanto a sua mão andava livre pelo seu corpo. Ao se lembrar da nova colega, a Maria. Veio-lhe a imagem de uma mulher bonita, de formas voluptuosas vestida com um conjunto recatado, mas com um sorriso ousado. A leveza do seus movimentos, a sensibilidade do seu toque e o som ternurento e familiar da sua voz, e o doce do seu perfume. Ao tentar decompomor aqueles estímulos olfactivos. Imaginou-a a se despir. Como seria a Maria por baixo daquele vestido, como será a sua pele, o seu umbigo, os ombros, as costas, as pernas, as coxas? E a corar pensou como seriam as suas mamas, o seu rabo, as suas pernas?
Sem se ter apercebido a sua mão descera para as regiões mais privadas do seu corpo estimulando o seu monte de vênus. Não era hábito se sentir assim e se excitar com o pensamento por mulheres, muito menos por alguém que conhecera e com quem estaria no dia seguinte. Mas era uma fantasia secreta sua, daquelas que só se tem quando se sente e que não chega por desejo consciente, mas que se instala e permanece presente.
Sentiu com as suas mãos o seu corpo quente, enquanto brincava com os dedos no contorno donseu peito. Até que ouviu a porta da frente a abrir e o marido a chegar. Não era hábito chegar tão cedo. Teve que parar quando ele bateu na porta da casa de banho. Ela respondeu-lhe que já saia do banho. Sentiu que estava a pensar em algo proibido e que a chegada do marido denunciava um comportamento seu diferente do habitual apenas porque estava a pensar noutra pessoa.
Durante o jantar a dois, o marido resolveu lhe perguntar pela nova colega. Ela nem queria acreditar. A cada pergunta ela se retraia mais com a resposta tentando indiciar ao marido que não era assunto que lhe interessasse falar, mas no seu intimo, a cada resposta que dava, crescia em si um desejo maior de se lembrar dela e de como era bonita, de como falava, de como cheirava, de como se movia. Nada lhe poderia ter preenchido mais aquela noite que o pensamento na Maria.
No fim do jantar e ao terceiro copo de vinho ela já estava a necessitar de libertar aquele calor que sentia no corpo. Aquele desejo de saborear a sua Maria, de abri-la e bebê-la, de a sentir a tremer com os seus beijos, de a ver se contorcer com o seu toque. Mas não conseguia naquele momento falar da nova colega nem pensar no marido para lhe satisfazer o desejo daquela fantasia, afinal ele não era ela.
Ela foi para a cama cedo, pensando que poderia ter um momento seu e que na ausência do marido enquanto lia o livro antes de adormecer, iria abri-lo numa página ao calhas sob as pernas, enquanto as suas mãos fariam das da Maria no seu corpo.
Estava tudo a correr conforme planeado. No despertar da sua fantasia a Maria já estava nos seus braços a lhe acariciar o cabelo e a face quando o marido chegou ao quarto para dormir. Vinha cansado e pronto para dormir. 
Ela desesperou por mais esta interrupção, e mal ele adormeceu a Maria voltou ao seu pensamento. Desta vez a sua imaginação concentrou-se no pensamento de que a Maria poderia sentir a mesma coisa por ela. Maria não era mais um objecto do seu afecto, corpóreamente passivo. A Maria era quem olhava com vontades carnais e lançava-se sobre ela com beijos no seu pescoço e uma mão a lhe puxar o cabelo enquanto a outra lhe apalpava as coxas. O fogo que se fez sentir naquela cama despertou o marido que sentiu a sua mulher a ferver, mas esperou pacientemente, fingindo estar a dormir, que ela o procurasse.
Ela sentiu as suas calcinhas molhadas e como estava em chamas decidiu tirá-las e às calças do seu pijama. O marido nesse momento a tocou. O toque poderia ter matado todo o momento. Mas ela já tinha ultrapassado esse limite.
Ela disse ao marido: só quero que me toques e me excites com as tuas mãos. Hoje o prazer é meu e só meu. Podes-lhe chamar de egoísmo, mas hoje eu necessito que esta fantasia se conclua da minha maneira. Não quero que te masturbes, nem que te toques. Hoje o prazer é só meu! 
E ele concordou por gostar da forma como Ela lhe excitava com os seus comandos. Ele tornou-se apenas um veículo da sua luxúria, não era marido, nem homem, era as mãos e corpo da Maria. 
Ela guiou as mãos dele através da roupa da cama até ao seu corpo nú, fervendo de anseio por um toque estranho, mas igualmente familiar. Um toque suave feito de carícias ternurentas que a faziam estremecer cada vez mais. A cada exploração dos seus dedos ela apertava-o com as suas pernas enquanto ele sentia o seu ventre de prazer a pulsar com o aproximar das vagas de excitação que comandavam os seu movimentos. Ele não era livre, mas sentia no seu corpo a sua respiração a ficar mais ofegante e a acompanhar o ritmo da respiração desesperada da mulher que ia inspirando e expirando com maior vigor a cada movimento dos seus dedos na púbis.
Nesta fantasia era a Maria quem estava ali naquela cama. A Maria a estimulava e a chamava para os vales prazerosos dos lençois estimulando-a com os seus dedos. Até que a Maria decidiu descer e com a sua boca saboreá-la. O Marido desceu e enterrou a sua boca na fonte de prazer enquanto estimulava-a com os seus dedos levando-a a se contorcer e a agarrar a cabeça dele (da Maria) e a lhe puxar o cabelo. 
Agarrou a almofada e gritou Maria, enquanto o seu corpo estremecia incontrolávelmente com os movimentos do orgasmo que lhe sucedeu.
Ela deixou o corpo navegar pelas sucessivas vagas de prazer e de orgasmo. A Maria continuava a estimulá-la e logo depois uma nova explosão lhe caiu sobre o ser.
Ela beijou o marido e agradeceu-lhe pela fantasia vivida prometendo-lhe que lhe contaria de manhã a razão por detrás deste momento vivido a dois.




Conheci-te no escritório


Andávamos à dias a trocar olhares. Quando ia te entregar o correio no teu gabinete não me conhecias, nem olhavas para mim e secamente dizias "obrigado". Mas quando estavas no cubículo do café, sentada a segurar a tua chávena vermelha, sentia os teus olhos a me despirem o corpo.
Tudo em ti era contradição.
A tua boca só se abria uma vez ao dia para falares comigo. No entanto naquele teu momento de pausa quando olhavas para mim com um olhar lascivo eu senti- te a contorcer as pernas, irrequieta na cadeira enquanto seguravas com força a tua chávena de chá. Imaginava que à distância estarias a beber-me, saboreando o meu sabor e o meu odor no teu corpo, deixando-te excitada e molhada, a estremecer de prazer.
Quando te sentia assim, provocava-te! Colocava me de modo a poderes ver o meu corpo e as minhas formas.
Num dia percebeste que eu vi como te fazia sentir e quiseste reprimir o teu sentimento de paixão e desejo.
Passaram semanas e não voltaste para tomares o chá àquela hora...
Mas enquanto adormecia o meu desejo, o universo encontrou nova forma de te colocar no meu caminho.
Ficaste até tarde a trabalhar e reparei que tinhas a luz acesa. Como sou o último a sair pensei que fosse esquecimento.
Para minha surpresa lá estavas tu. Timidamente dei te boa noite enquanto sentia o meu corpo a ficar dormente e a tremer de antecipação. Reparei que ficaste logo com um rubor na cara e calor no corpo pela forma como te movias, enquanto me respondias e pedias mais cinco minutos para acabares o teu projecto. Acedi e disse te esboçando um sorriso que estaria à tua espera ali no cubículo do café.
Aqueles cinco minutos pareciam uma eternidade. Não sabia como irias reagir se te convidasse para sairmos para um copo depois do trabalho. Afinal nunca tínhamos falado muito. Apareceste relaxada e agradecida por poderes concluir o teu trabalho.
E começámos a conversar e nessa breve troca de palavras a tua mão tocou na minha e senti uma faísca. Era como se naquele momento o mundo estivesse parado, os nossos olhos se fixaram e eu me deixei perder nos teus grandes olhos castanhos. Quando dei por mim estávamos encostados no cubículo. As minhas mãos contornavam cada curva do teu corpo enquanto as tuas desciam pelo meu, expondo-o ao mundo com cada botão aberto da minha camisa, sentia te a tremer.
Começaste por me beijar o peito, contornando os meus mamilos com a tua língua. Sentia um calor enorme no meu ventre da excitação que me fazias sentir. Encostei te suavemente ao cubículo e segui com os meus dedos a tua cara passando pelos teus lábios carnudos, descendo para o teu pescoço e ombros, beijando-te. Cheguei ao teu pescoço e ao primeiro beijo senti o teu corpo a estremecer, como se a cada carícia a tua excitação aumentasse de forma exponencial.
Estava a ficar louco com o teu cheiro.
Começámos a degladiar com as nossas línguas enquanto me puxavas para perto de ti apertando os teus seios contra o meu peito.
Desabotoei suavemente a tua blusa cor de rosa palida, que deixa perceber de forma muito tenue o contorno dos teus seios, enquanto retiravas o teu soutien de renda expondo o teu belo peito.
Tu não aguentavas mais, querias me em ti. Levaste a minha mão ao calor do teu ventre. Senti o teu regaço quente, húmido, excitado a pulsar com a vibração do teu corpo, enquanto me baixavas a cabeça para te saborear. A cada puxão do meu cabelo percebi como gostavas do prazer e como te levaria ao céu. Retirei te as calcinhas enquanto te entretias a procurar com as tuas mãos o meu falo. Sem pensarmos no que estava acontecendo e com os nossos corpos incendiados pelo nosso instinto ardente, dei por ti deitada na mesa do café a me implorares que te penetrasse. Puxei as tuas pernas para perto de mim enquanto te entrava no teu corpo. A cada movimento meu, agarravas os teus seios e mordias os teus lábios enquanto eu sentia o teu interior a me puxar para a loucura. Agarrei as tuas pernas e beijei os teus dedos dos pés, enquanto exclamavas e gemias por mais.
Todo o mundo estremecia aos nossos pés até que soltaste um grito de prazer e me puxaste para ti mordendo o meu lábio. Tive a sensação de dor e de prazer enquanto gozava dentro de ti.
Acabamos agarrados um ao outro. Aquele momento tinha sido o clímax de várias semanas e meses de olhares e flirts e finalmente tinha sido consumado. A nossa vida voltou a ser a mesma até sentirmos a necessidade de nos amarmos de novo.